segunda-feira, 10 de novembro de 2008

ÔNIBUS X MP3


Todos querem um carro aos 18. Eu pra variar, fui diferente. Investi todo dinheiro do meu trabalho e da ajuda de meus pais em um apartamento. Toda escolha exige sacrifício. Enfim, ainda ando de "busão". Eu sempre procurei drogas alternativas para suportar as feiúras da vida. Uso muito meus amigos. É um dos melhores "baratos" que existe. Por um tempo tentei o chocolate e o fast food junto ao sofá e a um bom filme. Muito bom, mas a balança resolveu me assombrar. Então, resolvi me dar um presente: um mp3. Eu me pluguei e de repente, estava desplugada do mundo feio por preciosos minutos! Ir até o ponto de ônibus e ficar lá por um tempo aguardando aquele veículo cheio de estranhos, passou a ser gostoso. Eu estava em baixo de um sol de 40 graus, prestes a ser esmagada e pisada, quando não "encoxada", mas estava com o Frank susurrando "It had to be you" só pra mim. Euzinha!!! Pois um sábado, enquanto esperava, a Madonna se calou! Ai!!!!!!!! A pilha tinha acabado, mas os minutos de espera não. Decidi sair correndo pela avenida e ir até o posto AM/PM. Eu olhava o tempo todo pra trás pra ver se meu meio de transporte se aproximava e corria. Quando entrei na loja fui direto ao encontro das pilhas. Pareciam ouro reluzindo. Peguei e corri para o caixa, mas um cara que naquele sábado havia resolvido deixar o cavalheirismo em casa, correu mais do que eu e passou sua cerveja, seus cigarros e os trezentos tipos de sorvete da criançada que o acompanhava na minha frente. Eu me calei e aceitei. Oras, ele havia sido mais rápido e nós sábias mulheres revolucionárias sempre lutamos pelo direito de igualdade entre os sexos. Por que eu deveria ser atendida primeiro? Bom, depois da "fast análise", tive que me segurar de novo. O balconista do AM/PM passava as compras sem nenhuma pressa e mantinha um papo com o cara sobre os tempos de escola. Eu só mantinha meus olhos na avenida e no relógio. A conversa foi enredando para os grandes dias de terrorista escolar do balconista. "Eu nunca assitia aula quando não queria! Era o herói da minha turma. Trancava a professora na sala e íamos jogar bola."Na mesma hora pensava em alguns de meus alunos, meus mini terroristinhas que gostavam de esconder meu marker para que eu não usasse a lousa. Quando enfim chegou a minha vez, eu já estava com o dinheiro trocado e pronta para correr de volta ao paraíso do isolamento musical. O atendente olhou nos meus olhos, sorrindo, e me me disse: " Pra que estudar tanto né?". Naquele momento meu velho eu urrava dentro da minha cabeça perturbada e tudo o que eu conseguia pensar era: "é por isso que você é apenas um balconista de AM/PM!". Mas graças aos anjos e a mais uma super "fast análise", eu apenas sorri e lhe entreguei o dinheiro.Plugada novamente, Madonna nunca foi tão afinada e doce como naquela manhã de sábado.

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