terça-feira, 9 de novembro de 2010

SUS Francisco


Meu nome é Andrea e na sexta-feira, dia 5 de novembro de 2010, fui picada por um inseto. A picada foi dentro de uma de minhas narinas e não pude identificar o inseto.

A dor era excruciante e minha narina se fechou. Logo, o lado direito do meu rosto ficou dormente e inchado e podia sentir uma "fisgada" atrás do meu olho direito. Obviamente fiquei muito assustada e fui levada para o atendimento de emergência do Hospital São Francisco.

Pago meu convênio (que não é barato) todos os meses, dentro do prazo de vencimento e o que espero do hospital é, no mínimo, um retorno de qualidade.

Ao chegar, fui encaminhada a uma salinha onde uma enfermeira fez uma pré-avaliação para ter certeza de que minha glote não estava se fechando devido a uma reação alérgica. Ao constatar que não era esse o caso, recebi uma pulseirinha azul (caso sem urgência) e tentei achar um lugar para me sentar, pois o local estava abarrotado de gente. Aguardei ser chamada para "abrir uma fichinha". A dor só aumentava e a dormência se espalhava. Depois de 40 minutos fui chamada para fazer a tal "fichinha" e recebi outra pulseirinha, dessa vez com o meu nome nela. O sinal de telefone praticamente não existe no local e comunicar-se fica bem difícil. Não que isso seja de responsabilidade do hospital, mas o pavor e o desespero só aumentam quando você teme sair do seu lugar para ir telefonar e assim perder "sua vez".

Os nomes eram chamados por um interfone. Não era possível entender o nome dos pacientes. O clima de tensão e revolta foi tomando conta do lugar. As pessoas começaram a gritar e reclamar do atendimento. A polícia quase teve que ser chamada. Os funcionários do hospital São Francisco optavam por ignorar as reclamações e seguir em frente.

Depois de 2 horas e meia, fui reclamar com uma funcionária, chorando e tremendo de dor. Algo extremamente humilhante para alguém que paga por um serviço e que está naquele momento sofrendo muito de dor e mal consegue pensar. Implorar por atendimento não deveria ser a solução. Após meu pedido tão convincente, fui encaminhada para a sala de observação, onde um plantonista veio me ver.

Ele me perguntou o que havia acontecido, não me tocou, não olhou nada e prescreveu dois medicamentos que deveriam ser aplicados ali mesmo. O médico perguntou para a enfermeira se ele poderia misturar as duas medicações. A enfermeira respondeu que não, num tom bem claro de indignação.

Eu só pensava no fim da dor e ignorei minha vontade de ir embora daquele lugar imediatamente.

A enfermeira então, aplicou as duas injeções e disse que eu poderia voltar pra casa. Meu pesadelo havia chegado ao fim.

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